Quem é Ana?

As histórias precisam acabar da mesma forma que começam? Elas precisam começar? Acabar?” Anna sempre se perguntava. Ela se perguntava tudo. Sobre si mesma, sobre os outros. Sobre o tempo que já havia passado e o tempo que batia na porta pedindo pra entrar. Aos poucos, tudo a sua volta havia se tornado mais abstrato. Não se importava mais com o namorado que tinha preguiça de transar. Nem com as amigas que esqueciam de a chamar pra jantar. Não tinha mais tempo pra se prender ao tempo dos outros. Cada um tem seu tempo, não conseguimos, no nosso ritmo diferente, atravessar o caminho de outra pessoa e fazê-la mudar seu próprio. Ninguém é rápido o suficiente para atravessar quem o outro é. Anna cansou de seguir, de ser seguida e andar de mãos dadas. Não queria mais ninguém ao seu entorno. Queria ser só quem ela era, sem expectativas ou projecções que a empurravam. Olhando de fora, era como se estivesse num furacão, sendo jogada, girando. Por dentro, já era só destroços. Ela não queria mais aquilo, precisava se recompor. Levantar paredes, nem que fossem só as paredes, sem teto, sem chão.

Destiny

She was feeling extremely dumb and happy at the same time. Trying to figure out if her last choice was a good or a regretting one. Her brain had all those electric circuits running faster by the second, while her hands touched softly trough those gray walls. She shutted her eyes and felt a force getting closer from every possible direction and pushing her. All of her body started to wake up and communicate. It is pure gospel when you understand the language your body speaks, and in that moment, she could hear whispers that told her to leave.

Suddenly, she was higher. Floating in the sky, but a different one, watching everything operating in a new frequency, watching the world from another perspective, while her body kept living for her down here. She felt disrupted and evolved at the same time. There was still chaos and mess and it was still hard to decide.
The next thing she noticed, was that this place, floors above the plan we are used to live on, happens a bit before our actual life. She was in a future somehow, although she never really comprehend how many time she had in front of the carnal stage of being. Anyway, she was able to finally understand that “real life” happens because, before, in this higher plan, we speak, we see each other, we inspect the environment, we have a moment to study everything we’ll touch and experience.

This made her trust herself again and feel smart to keep on making her own decisions. Answers started to fulfill her mind with all this sense of responsability and a kind of freedom that comes along with it. It’s easier to be confident, when we trust our inner wishes.

Desfocado

Não perde o foco

de não ter um foco

não segura o fio da pipa

que o ar puro arrefece

a vontade de voar

sem ter para onde voltar

seja a casa sem parede

onde eu sempre quis morar

mas não conte comigo

para dizer que eu preciso

de em ti ficar

Isa Freire 10.01.2019

Nessa e noutras vidas

Promete que encontra comigo numa próxima vida?
Num mundo onde não somos, só a exceção colorida?
Aquele mundo no qual rir é bom. 
E vale mais dar do que apertar a mão.

O futuro, pra servir pra nós dois, já chegou perto demasiado.
Nesse abraço em infinito, o futuro não difere do passado.
Desencontros são encontros que nos desencantam.
Uma flor murchando no solo do coração abafado.

Pra daqui a algumas vidas, quem sabe, renascer 
com um novo significado.

Isa Freire 10.01.2019